segunda-feira, 17 de junho de 2013


O modelo de opressão e segregação no Brasil chegou ao limite do suportável. Na segunda semana de junho dois acontecimentos diferentes culminam no mesmo sentimento de esgotamento. A participação do Estado via polícia militar, na onda de manifestações causadas pelo aumento da tarifa de transporte nas principais capitais brasileiras, e sua participação também no assassinato do jovem capoeirista no Nordeste de Amaralina. Os dois casos apontam para um Estado violento que usa o braço armado para massacrar a população, seja no dia-a-dia das periferias, seja em momentos de insatisfação e manifestação popular.

Em paralelo, a grande mídia brasileira, intensifica um processo de criminalização dos movimentos sociais.Algumas reportagens produzidas nos últimos dias demonstram como se buscou tirar a legitimidade dos protestos populares na capital paulista. Esse é o padrão de cobertura adotado historicamente por essa mídia oligopolizada e hegemônica. Já a outra notícia, referente ao assassinato do jovem capoeirista, esteve apenas por alguns minutos nos noticiários, era apenas mais um jovem negro executado dentro de uma periferia de Salvador, e na mídia esses jovem são visibilizados apenas quando na condição de agressores, estimulam a ideia de redução da maioridade penal. Ideia que é ventilada por essa mídia elitista apenas quando se trata de um jovem pobre, pois quando são filhos da classe poderosa desse país que cometem crimes, o tratamento é diferenciado.

Discutir a redução da maioridade penal a partir dos parâmetros colocados por essa mídia, não contribui para solução do problema de insegurança, tão pouco o modelo de atuação da polícia. Eles contribuem na verdade para ampliar o abismo da desigualdade social e racial desse País.

São óbvios os indícios de que esse modelo de Estado não segue na direção de uma sociedade mais justa e igualitária, segue na direção de uma sociedade menos democrática e que segrega minorias políticas. A juventude se rebelou! Incialmente com o barulho dos vinte centavos,posteriormente dando conta de que já não temos mobilidade urbana, estamos presos dentro das grandes capitais, não temos garantia de direito a segurança, principalmente se for jovem e morador de periferia. O Estado Laico são apenas palavras! Tentam nos tirar direitos como o de escolher a quem amar, e com quem ter filhos (vide cura gay e estatuto do Nascituro) e insistem em um modelo político vigente que impossibilita mudanças estruturais. São essas contradições que nos levam as ruas pra dizer que basta!

• Pelo Passe Livre
• Por mecanismos que impeçam o monopólio da informação e gerem a democratização da mídia
• Pela Reforma Política.
• Pelo fim do extermino da juventude negra
• Pelo direito a cidade
• Pelo direito a livre manifestação e a liberdade de expressão
• Por mobilidade Urbana de verdade


Coletivo Crioul♀
Aline Cruz – Diretora de Combate ao Racismo – DCE UFBA
Elen Coutinho – Diretora de Comunicação– DCE UFBA
Jessica Santos – Diretora de Direitos Humanos– DCE UFBA

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